decidi ser boa, mais do que bondosa, compreensiva. fecho a mente ao mínimo sinal de desespero e me isolo dos significados para ver somente a matéria em si como é para outros. se me faz bem eu nunca terei plena certeza, mas se o receitado é estar à mercê, estarei então: estática e sorrindo a mais pura felicidade.
N.
outubro 22, 2008
setembro 13, 2008
de pés frios.
quem sou tornou-se abstrato demais para ser entendido. olho no espelho e vejo alguém diferente, o rosto amortecido cada vez mais pesado como um fardo que não consegue se esconder sob mais nenhum pretexto. e mesmo as lembranças antes tão vívidas agora vivem apagadas e dissolvidas pelo tempo e pelos olhos que não brilham mais. A chuva começa a cair a fim de lavar a tarde morna e sem vida que se apossou de mim: queria ser feita de pó para os pingos tirarem um a um os pedaços, queria ser vento para cessar, queria ser feita de palavras e ser socorrida pela correcção imediata. queria ser muita coisa, mas vejo que já não o sou. O dia continua a se esgotar e nunca o barulho dos ponteiros foram tão altos. deitada na cama me dou motivos para abrir os olhos mas passo por eles como quem corre o fio do terço e o quarto escuro vai embalando-me com o som sincronizado de quem espera a morte chegar.
N.
setembro 01, 2008
quero ser bíblica, aos meus mil anos somar sermões infindáveis e viver de vós, venho das explicações parafraseadas, sou semonista enfeitado dos mais profundos túneis das catedrais que agora governo sem precedentes. das doutrinas e percepções divinas aos carneiros que forram as paredes: te convenço pela minha loucura disfarçada de graça.
N.
N.
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